LIDERANÇAS: O SÉCULO XXI AINDA NÃO CHEGOU!

13 de maio

A linha divisória que distingue um líder de um chefe é a sua postura, amadurecimento emocional e confiança transmitida ao grupo de trabalho.

Todo ser humano, necessita focar um objetivo ou ideal para dar sentido a sua existência.  O verdadeiro líder é aquele que tem força e equilíbrio emocional, que gera confiança, participa, agrega, e cria uma sinergia entre os interesses individuais e os da sociedade ou da empresa.  

No Brasil, por questões culturais temos uma carência de grandes líderes em razão da abolição da escravatura ter ocorrida relativamente a pouco tempo, menos de 140 anos. Temos gerado mais gestores com atitudes de chefes do que verdadeiros líderes que compartilhem com pessoas reduzindo a relação conflituosa com o trabalho, Causa principal da baixa produtividade.

Durante a escravatura, os proprietários de escravos e suas famílias, não trabalhavam, todo o trabalho era realizado pelos escravos e até amamentação dos bebes dos senhores era função da ama de leite negra.

Passaram-se décadas e continuamos com a noção errada, que trabalhos mais simples nos denigrem.  Continuamos, portanto com a noção que alguns trabalhos devem ser executados por uma subclasse de trabalhadores.

A maioria dos trabalhadores não se dispõe a fazer limpeza de seu próprio local de trabalho, quando falta a zeladora e considera aviltante quando lhes é solicitado.

Entretanto, Universitários e até jovens recém-formados, não tem o mesmo pudor quando vão   emigrar para o exterior e lá trabalham em serviços de lavar pratos, de babá, arrumadeira, limpeza e outros que aqui no Brasil que se recusariam a fazê-lo.

 Na Europa é muito comum e normal, que a limpeza de um restaurante por exemplo, seja realizado por um garçom ou outro funcionário, sem necessidade de alguém específico para essa tarefa e ninguém vê nesse ato qualquer demérito.

Com a abolição, vieram os imigrantes Europeus. Os que aqui chegaram com recursos financeiros próprios não tiveram problemas. Mas a maior parte veio com financiamento da viagem pelos contratantes e promessa de terras, não cumpridas. O débito da viagem era acrescido com os gastos da própria sobrevivência, os mantinham em dívida constante.

A lógica favoreceu economicamente os proprietários de escravos, pois enquanto tinham até então que mantê-los com casa, comida e roupas, agora essa responsabilidade passava ao novo trabalhador e os antigos escravos eram abandonados à própria sorte.

As práticas e dureza no tratamento pelos chefes ou feitores da época, não eram muito diferentes nas duas situações, exceto que os novos trabalhadores na grande maioria não recebiam castigos físicos e tinham liberdade de ir e vir.

Essa cultura narcisista de dar ordens, olhar somente para a produção, sentir superior, menosprezar, humilhar trabalhadores mais simples, por muitos gestores até o dia de hoje, gera de outro lado uma multidão de pessoas com baixa estima. Consequentemente gera   baixa produtividade e redução de lucros, prejudiciais para a empresa e economia.

Em uma visão mais abrangente de nação, entre 1534 a 1759, ficou vigente no País as Capitanias Hereditárias, em que as terras do Brasil foram divididas em partes e entregues para pessoas e particulares que tinham relação com a corte de Portugal.

Com a vinda de D. João VI, embora o Brasil colônia tivesse um ligeiro progresso, pois conjunturalmente era de interesse de Portugal, da mesma forma ninguém da corte trabalhava.  A corte com 15.000 pessoas, ao chegarem ao Brasil precisavam de moradias e outras necessidades, que comumente eram negociadas e conseguidas com os nativos ricos em troca de títulos de nobreza Marqueses, Condes e outras benesses como terras.

Ao retornar para Portugal D. João VI não titubeou em limpar todo o ouro existentes nos cofres do Banco do Brasil, deixando nossa Economia falida e a partir daí começamos a falar em inflação e todas as mazelas que estamos fartos de conhecer.

Nos dias atuais mesmas famílias dominam as políticas dos diversos Estados Brasileiros por décadas, algumas repetindo vícios éticos com a complacência de eleitores que são mantidos a margens da informação e educação.

Muito pouco mudou em relação ao século XVII na nossa cultura. Políticos travam uma batalha árdua para manter “Status Quo”. Com maus exemplos transmitidos para o resto da população, perpetuando os vícios já na base em um círculo sem fim, pois nada mais são do que o “corte” da população em dado momento.

Quando se fala em Indústria 4.0 é mister uma educação mais efetiva de nossos jovens, para estarem aptos a enfrentar o novo mercado de trabalho e uma  nova visão de líderes empresariais e políticos, para alavancar as empresas,  política e a Economia, para de uma vez por toda possamos ingressar no século XXI de cabeça erguida.

Celso Tauscheck

Palestrante – Consultor em gestão financeira

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